quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Inicio da tragédia - Série Manu

            Era uma tarde de segunda-feira, Manu seguia pela avenida abarrotada de carros. Ao atravessar a pista, quase foi pega por um carro, do qual, não teve tempo de ver nem ao menos a cor. Era estranha aquela sensação de estar sempre tropeçando em tudo, o que estaria acontecendo? Ultimamente tudo parecia vir pra cima dela e atropelá-la.
         Manu estava indo ao oftalmologista. Entrou no consultório, achando que seria um exame de rotina apenas. Aquelas consultas periódicos de todos os anos em que eram feitos alguns exames e, as vezes aumentava o grau do óculos e, vida que seguia. Mas ao entrar, já  esbarrou na cadeira, o médico pediu que se sentasse. E, examinou-a, examinou... examinou... e... falou:
         - Onde está a sua mãe? – ele estava com a cara meio fechada. E Manu respondeu:
         - Minha mãe está trabalhando, por quê?
         - Por que você não pode andar sozinha.
         - Por que não? Eu tenho 20 anos doutor. - Manu respondeu sorrindo.
         - Mas você não está enxergando nada e precisa urgentemente ir para Belo Horizonte ou ficará cega.
         O mundo de Manu desabou. Viajou as presas para BH, junto com sua mãe e seu tio. Ela que era uma moça simples do interior, nunca conhecera lugar maior que Cachoeiro... Passara uma vez pelo Rio de Janeiro quando fora a Aparecida do Norte. Isso quando Aparecida ainda era minúscula, bem no início da construção da Basílica Nova.  O que faria na grande e desconhecida BH? Como sairia dessa cilada do destino?
         Manu terá que enfrentar aquele monstro que crescia dentro de si. Suas lágrimas desciam como cascatas pela face rósea. Já perdera a conta das cirurgias, das injeções, dos “cortes de cílios”...  Ficava horas na sala de vidro do Hiltom Rocha,  olhando o silêncio da cidade lá em baixo. E na sua escuridão imaginava muitas vezes que seu príncipe encantado a salvaria daquele pesadelo. Pura ilusão a cegueira já havia habitado seu coração... e febril visionava “ele” chegando  naquelas noites lúgubres.
         O que Manuela não sabia era que aquele era apenas o começo de seu eterno pesadelo...



2 comentários:

  1. Temos a impressão de que a vida começa entrando por nossos olhos, as cores, as texturas, os tamanhos, e os iludimos quando as cortinas ficam turvas, o coração é que tem que enxergar nessas horas, amei seu post.
    Sigo-te.

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  2. Obrigada, dizem que os olhos são o reflexo da alma. Mas a cegueira me aflige e me deixa perplexa, mas preciso encontrar forças para suportá-la se ela vir. muitas vezes só o silêncio me acalma e me ensina. Fiquei muito feliz por ter-te aqui no meu pequenino mundo. Muito obrigada. Grande abraço.

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