quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tragédia - Série Manu

Era véspera de carnaval. Manu tinha saído atordoada do consultório do dr. Orlando. Teria que ir as pressas para Belo Horizonte. 
Telefonou para o pai, pedindo socorro. E... ele não podia ajudar, (ou não queria?).  Depois de muito choro e desespero ele prometeu lhe dar o dinheiro da passagem. "Ah! Comeria capim pelos pastos mineiros..."
Malas prontas, mas a cabeça estava longe, alienada, sem desejos, sem perspectivas. Foi para BH, junto com a mãe e o tio, pois tiveram medo de se perder naquela metrópole. 
Mais de 10 horas de viagem de Cachoeiro do itapemirim (a princesinha do sul e cidade natal de Roberto Carlos Braga, mora?) à Belo Horizonte (capital mineira, a grande BH).
Chegaram à rodoviária e se informaram sobre o tal Hilton Rocha.  Hospital famoso e conhecido, foi muito fácil achar. Era só pegar a Av. Afonso Pena e ir até a praça do Papa, no bairro das Mangabeiras, na Serra do Curral. Um lugar frio e silencioso, fúnebre mesmo.
Manu chegou lá as seis horas da manhã. Não havia ninguém, a não ser o porteiro que os orientou a esperar. Foi atendida logo, na emergência. Sua mãe pagou a consulta com o único dinheiro que conseguira emprestado. 
Ao ser examinada, logo começou o burburinho entre os médicos, que  se reuniram em sua volta. Passou por um, dois, três médicos. Até que chamarão o próprio Dr. Hilton Rocha. Que vendo os exames feitos e a pressão intra-ocular que estava em seus 48 graus, (sendo que o considerado normal era 14 até 16 graus, mais ou menos). 
Após demorada e minuciosa consulta, ele apenas lhe disse:
- Caso especifico para o Dr Homero.
Lá foi Manu para o consultório do Dr. Homero. Nessa altura acabou o dinheiro, o único que sobrou fora o das passagens. A mãe de Manu, passou "tacolak" na cara, literalmente, e falou com o médico que não podia mais pagar os exames. 
O Dr. Homero disse que não tinha como Manu voltar para casa, ela tinha que ser internada imediatamente,  ele ia tentar ajudá-la, mas nada podia prometer porque ela estava ficando cega.
Manu já não tinha mais lágrimas... foi levada para a enfermaria, no quarto 405 do 4 andar do Hiltom Rocha. Deram-lhe a primeira cama, de um grupo de 5. Ela apenas deixou-se desabar na cama. Escondia o rosto no travesseiro, não queria ver sua mãe e seu tio indo embora.
E ela teria de ficar... ficar naquele lugar sozinha, sem ninguém que conhecesse. Tinha 22 anos, mas era uma criança imatura, não conhecia nada de cidades "monstruosas" como aquela...
E era sexta-feira de carnaval do ano de 1987.







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